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miércoles, 21 de octubre de 2009

23 de Agosto de 1939 - Pacto Germano-Soviético

HELLO MISTERS AND LADYS:

Há 70 anos a URSS e a Alemanha nazi assinavam um pacto de não-agressão e acordavam a repartição da Polónia entre si. Motivo de grande controvérsia, o pacto Molotov/Ribbentrop tem sido defendido pela generalidade das correntes comunistas, à excepção das trotskistas e conselhistas, como um acto genial de Staline que adiou a agressão nazi à URSS por dois preciosos anos, permitindo-lhe reorganizar-se e preparar-se para a guerra e conseguir resistir aos alemães e derrotá-los. Para os seus detractores, foi um acto inqualificável que não só desencadeou a Segunda Guerra como provou que Staline é igual a Hitler, o comunismo ao fascismo e que os dois regimes são totalitários por natureza. Ou seja, liberdade, só com a democracia do capital.

A mistificação tem, nos dias que correm, o valor de verdade inquestionável e ganhou grande aceitação depois da implosão do bloco soviético. Tanto assim que há meses a OSCE, a organização da União Europeia para as questões de segurança, validou oficialmente a tese através de uma resolução em que culpa por igual a Alemanha e a URSS como exclusivos responsáveis pela guerra. Por isso vale a pena recordar alguns factos sistematicamente remetidos para o esquecimento.

ALIANÇA NÃO DECLARADA ENTRE DEMOCRACIAS E FASCISMO

O pacto Hitler-Staline foi o culminar de uma longa história marcada:

1- Pelo desejo das potências ocidentais de aniquilarem a União Soviética e assim varrerem de vez o fantasma da revolução proletária. Com esse objectivo fizeram vista grossa à ascensão do fascismo na Alemanha, e viram os seus métodos terroristas como um mal menor, controlável e muito útil na luta contra a ameaça da revolução comunista.

Foi a social-democracia europeia quem favoreceu o triunfo eleitoral de Hitler ao adoptar uma violenta e sectária política de isolamento dos comunistas após o esmagamento da revolução alemã; foram as democracias que permitiram o rearmamento da Alemanha nazi e deixaram afogar em sangue a República espanhola às mãos dos fascistas espanhóis, italianos e alemães com a sua política de neutralidade e não intervenção, como já o haviam feito relativamente à Etiópia, invadida pelos italianos, e à China, submetida pelo Japão. Foram os EUA, nomeadamente o magnata Morgan e as multinacionais IBM, CocaCola, Ford, Opel, Kodak e GE que ajudaram a reconstituição dos grupos financeiros e económicos alemães. Ninguém melhor que eles expressou o calculismo e o pensamento das potências ocidentais face ao fascismo e à “ameaça comunista”: “Nem os Aliados nem o Eixo devem ganhar a guerra. Os EUA devem proporcionar aos dois campos os meios para se combaterem e desmoronarem” (Henry Ford); “Se a Alemanha estiver a ganhar, devemos ajudar a Rússia; se a Rússia estiver a ganhar, devemos ajudar a Alemanha, para que morram o maior número de pessoas de cada lado” (Truman).

2 – Pela política de isolamento da URSS seguida pelas democracias, rejeitando sistematicamente todas as propostas e iniciativas soviéticas para a realização de pactos antifascistas tendo em vista a constituição de uma frente de Estados não-agressivos, feitas insistentemente por Staline a partir de 1934, principalmente à França e à Inglaterra. A partir de 1935, com a realização do 7º Congresso da IC, a URSS levou mais longe esse esforço de entendimento com as democracias abandonando qualquer ideia de revolução e subversão da ordem burguesa e empenhando-se na constituição das frentes populares antifascistas unindo comunistas, social-democratas e democratas de todos o tipo. O mais que conseguiu foi a assinatura com a França do acordo Laval-Staline (que nunca saiu do papel) e um tratado de apoio mútuo com a Checoslováquia.

3 – Pela assinatura em Outubro de 1936 do Pacto Anticomunista pela Alemanha, Japão e Itália, o qual previa a partilha da URSS entre eles e, em 1938, do Pacto de Munique entre a Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Hungria e Polónia reconhecendo o direito da Alemanha a uma parte da Checoslováquia, os Sudetas (a outra foi invadida em Agosto do ano seguinte pela Alemanha, Hungria e Polónia) e a anexação da Áustria, Albânia e Lituânia pelo regime hitleriano.

Hitler não fazia segredo da sua intenção de atacar a URSS para se apropriar dos campos de petróleo, combustível de que era totalmente dependente, e fazer da Ucrânia o celeiro alemão. Sentindo o cerco apertar-se e a inevitabilidade da guerra, Staline insiste mais uma vez, em 1939, com a Inglaterra, EUA e a França para a realização de um tratado. Estas não só recusam como incentivam a Alemanha a atacar a URSS, dando a entender que se manteriam neutrais.

Em Agosto, Hitler ameaça atacar a URSS. Staline, completamente isolado e fracassadas as políticas de aproximação e entendimento com as democracias e os nulos resultados das frentes antifascistas, propõe à Alemanha um pacto de não-agressão. A Alemanha aceita e invade a Polónia. A Inglaterra e a França, alarmadas com a aliança entre a URSS e a Alemanha, sentem-se ameaçadas e declaram guerra à Alemanha. A URSS ocupa a parte que lhe calhou da Polónia e a Finlândia, aliada dos nazis, ataca a URSS em 30 de Setembro. Em 22 de Junho de 1941, a Alemanha ataca a URSS, depois de ter submetido todos os países ocidentais, à excepção da Inglaterra.

AS CULPAS DE STALINE

Se é verdade que não estava nas mãos de Staline evitar a guerra e que o Pacto Germano-Soviético serviu para dar tempo à URSS para se preparar para o ataque que sabia inevitável, não há qualquer razão para tecermos loas à suposta genialidade de Staline. Além do cortejo de horrores que acompanhou as purgas estalinistas e que conduziu também à decapitação do Exército Vermelho, a forma como Staline ignorou os avisos que lhe chegavam de que Hitler se preparava para atacar a URSS – o que se traduziu na captura e massacre de alguns milhões de soldados soviéticos apanhados desprevenidos pela ofensiva nazi, facto geralmente elencado para diminuir Staline – há outro tipo de razões, bem mais sérias e decisivas que estas.

Staline não foi a vítima inocente da aliança não declarada entre as democracias e o fascismo que, em desespero de causa, se teria visto obrigado a entender-se com o diabo para sobreviver. O pacto Hitler-Staline resulta também do fracasso da sua política – imposta à Internacional Comuista e ao movimento comunista internacional – de contenção do perigo fascista através do aliciamento das potências democráticas e do namoro à social-democracia. A política das frentes populares antifascistas não produziu os resultados esperados porque apelava, não à unidade por baixo, entre os trabalhadores, mas aos entendimentos por cima, entre governos e chefes dos partidos democratas (em França, mas não só, o PCF até chegou a apelar aos fascistas descontentes); porque trocou a unidade na acção e na base por uma mirífica unidade política da classe operária, o que se traduziu no apelo à fusão dos partidos comunistas com os social-democratas e no alastramento e fortalecimento do oportunismo de direita no seio do movimento comunista.

Staline viu-se na contingência de assinar um pacto com os nazis e com ele lançar a confusão, a desorientação e a cisão no movimento comunista, porque há muito que deixara de pensar como um revolucionário comunista e a URSS de ser um Estado governado por proletários – se é que alguma o foi, a não ser por breve momento.

Staline comportou-se como aquilo que de facto era: um dirigente burguês de um regime anti-operário de capitalismo de Estado. Por recear a luta revolucionária do proletariado, optou por procurar apoios na burguesia democrática. Se ainda fosse um revolucionário comunista, teria procurado fazer o contrário: que a luta do operariado russo e de todo o mundo contra o perigo fascista transformasse a Segunda Guerra Mundial numa onda de revoluções, a exemplo do que Lenine defendeu quando da Primeira Guerra. Em vez disso, optou por apelar à defesa das democracias burguesas e à “grande guerra patriótica”.
NO NOS MAMEN MAS GALLO
GUERRILLERO VALENCIANO